O voto do Sindicato dos Arquitetos no Conselho de Desenvolvimento Urbano

Na manhã de hoje foi finalizada a apreciação das minutas de projetos de lei de revisão do Plano Diretor e Leis de Uso do Solo (LUOS) das Áreas Insular e Continental de Santos, no âmbito do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU). Este blogueiro é representante suplente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de São Paulo (SASP), no Conselho, e representou a entidade na votação de hoje.
A posição do SASP foi favorável às três propostas, com ressalvas a questões importantes, das quais destaco as principais.
No caso do Plano Diretor, a proposta não apresenta metas claras para o cumprimento dos muitos objetivos e programas que estabelece, o que impedirá, no futuro, de se verificar se o Plano foi bem sucedido, ou se permanecerá letra morta, como costuma ocorrer com a maioria dos planos diretores.
No que diz respeito à LUOS da Área Insular, a principal discordância do SASP diz respeito aos impactos ambientais e sociais do atual modelo de produção imobiliária, especialmente a forma de verticalização dos grandes empreendimentos e a inexistência de estímulos para produção de unidades habitacionais para famílias de médio e baixo rendimentos.
Quanto à LUOS do Área Continental, a principal questão levantada pelos representantes do SASP, que não foi atendida no processo de discussão que se encerrou hoje, é o zoneamento da área portuária e retroportuária, cujos impactos serão mitigados mediante diretrizes fixadas nos respectivos EIA-RIMA dos empreendimentos. Por considerar que boa parte dos RIMA são falhos, entendemos que a lei municipal tem obrigação de fixar parâmetros para os mesmos, de forma a não repetir formas de ocupação deletérias, como ocorreu no passado, em nossa região, tais como a supressão de manguezais e restingas de alto valor ambiental.
No geral, a legislação parece ter avançado um pouco, no controle dos impactos ambientais, mas as questões de fundo ainda carecem de muita discussão. É a promoção destes debates que se espera que a Câmara faça, assim que o projeto der entrada na Casa.
As propostas deverão ser objeto de uma última audiência pública, no próximo dia 30/11, à noite, em local a ser divulgado. As minutas deverão ser colocadas à disposição do público, para consulta, antes da audiência. Mas como se trata de um conjunto de normas tecnicamente complexas, este blogueiro coloca-se à disposição, para traduzir o "urbanês", para quem quiser ficar por dentro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em São Paulo tiveram mais sorte

Uma proposta de replantio do jundu nas praias de Santos

Apertem os cintos, o Gonzaga está sumindo!