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domingo, 9 de janeiro de 2011

Enchentes em São Paulo: o culpado é o lixo?

A cada verão, quando São Paulo fica debaixo d'água, assisto entristecido e revoltado ao sofrimento da população paulistana. Vejo, também, a luta dos rios espremidos em suas calhas artificiais, como que aprisionados em camisas-de-força, decorrentes da ocupação humana irresponsável de várzeas e brejos.
Nestas ocasiões, emergem as mais variadas explicações para o caos pluvial que se instala na maior metrópole brasileira. Ouço e leio de tudo um pouco. A culpa vai de São Pedro a má-educação do povo, que insiste em atirar no chão tudo que não lhe serve mais, ou em transformar os rios em latas de lixo.
Confesso que desconfio das explicações simplistas, por isso nunca engoli muito este tipo de interpretação das causas das enchentes, que anualmente debita na conta da população a culpa pelas tragédias anunciadas.
Por isso, prefiro ficar com a interpretação de quem tem uma visão mais abrangente do fenômeno urbano, evitando, assim, enxergar apenas uma parte da questão, mais conveniente aos administradores de plantão.
Volta e meia, quando São Paulo transborda, rádios e jornais resolvem ouvir este tipo de profissional, que possui mais clareza acerca das razões das frequentes enchentes na Capital. Quando estia, eles logo desaparecem da midia, infelizmente.
Além da já mencionada ocupação "sem-cerimônia" das várzeas e brejos, dia desses escutei uma explicação bastante interessante para o caos das enchentes em São Paulo, vinda de uma dessas profissionais que muito admiro, que é a arquiteta e urbanista Maria Lucia Refinetti, professora da FAUUSP.
Após um aguaceiro daqueles, ouvi a professora Maria Lucia afirmar, numa entrevista no rádio, que a grande vilã, no caso das enchentes, não é a "má-educação do povo", bode expiatório para todas as horas. A professora, com muita firmeza, garantiu que o grande culpado é o assoreamento dos rios e córregos da Região Metropolitana, provocado pela ocupação de encostas e várzeas, de forma a suprimir a cobertura vegetal do solo e expô-lo frequentemente às chuvas, que assim, mais facilmente carregam material particulado para rios e córregos, reduzindo drasticamente a capacidade de armazenamento de água dos mesmos.
Para a professora, o lixo pode no máximo causar alagamentos localizados em microbacias. Porém, a grande responsável pelo transbordamento da rede pluvial da metrópole é a ocupação desordenada, que não é, em absoluto, uma exclusividade dos assentamentos de baixa-renda. Basta uma visita à Serra da Cantareira para ver a grande contribuição que as moradias de média e alta renda estão dando para as tragédias de verão.
Portanto, as providências necessárias para minimizar este tipo de ocorrência, vão muito além da educação ambiental e da limpeza urbana. Passam pelo controle da ocupação eficiente e pelo provimento habitacional adequado, para a população de baixa-renda.

2 comentários:

  1. Ou é brincadeira ou é muita falta de conhecimento!!!

    Dizer que “o lixo pode no máximo causar alagamentos localizados em microbacias” e que “basta uma visita à Serra da Cantareira para ver a grande contribuição que as moradias de média e alta renda estão dando para as tragédias de verão” é um enorme equívoco.

    É evidente que o lixo vai sim causar assoreamento em toda a bacia. Basta ver a quantidade de lixo, E DE ESGOTO NÃO TRATADO, acumulada nos rios e nos reservatórios.

    Quanto ás moradias de média e alta renda, elas não são ocupações desordenadas. Com poucas exceções, elas obedecem as Leis Ambientais Municipais, Estaduais e Federais, com construções aprovadas pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

    O respeito às Leis resulta numa ocupação controlada e sustentável, preservando parte do lote, mais as Áreas Preservadas do Loteamento: Áreas Verdes, Sistemas de Recreio, Praças, Calçadas, etc.

    Fotos aéreas da Serra da Cantareira na década de 60 confirmam que era desmatada e usada para agricultura.

    Os Loteamentos causaram, não o desmatamento, mas sim o reflorestamento de parte da área.

    Deveria mostrar os Loteamentos, COMO UM BOM EXEMPLO DE OCUPAÇÃO RESIDENCIAL SUSTENTÁVEL, da classe média (MAS QUE PODERIA SERVIR DE INSPIRAÇÃO PARA EMPREENDIMENTOS POPULARES), com baixa densidade populacional, mais de 50% de área preservada, muito mais de 50% de área permeável e SEM POLUIÇÃO.

    Além disto, por serem construções responsáveis e controladas, NÃO HÁ DESMORONAMENTOS, logo não há resíduos sendo levados para a represa. A maioria destes empreendimentos mantém grande parte de área permeável com grama, que retêm mais água do que a vegetação nativa.

    Há que se procurar as reais causas de desmatamento e deslizamentos que são as seguintes:

    1) ocupações informais RESULTADO DE LEIS AMBIENTAIS EXCESSIVAMENTE RESTRITIVAS que não permitem a aprovação de novos loteamentos residenciais sustentáveis com lotes de 1.000,00m2, portanto trocam uma ocupação sustentável e controlada, por outra descontrolada que resulta em devastação total e poluição.

    2) em áreas com vegetação nativa (Mata Atlântica) é absolutamente normal que as chuvas carreguem os resíduos da mata, pois a vegetação natural não impede que as chuvas fortes causem erosões e desmoronamentos normais, nem impede que a as águas pluviais escorram sobre a superfície levando os resíduos (terra, areia, folhas, galhos, etc) para os riachos e para a represa. BASTA VER, EM ÁREAS PRESERVADAS, QUE OS RIOS FICAM BARRENTOS EM ÉPOCAS DE CHUVA.

    3) o descaso das prefeituras que não controlam e não limpam estes resíduos, nem fazem o dessassoreamento dos riachos.

    4) DESCASO DOS POLÍTICOS E GOVERNOS QUE NÃO CRIAM CONDIÇÕES PARA EMPREENDIMENTOS DE LOTEAMENTOS SUSTENTÁVEIS PARA A CLASSE POBRE.

    Vinícius Nardi, por uma Preservação e Ocupação Justas e Sustentáveis.

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  2. O Preservação Sustentável é uma piada. Ele esquece da existência da corrupção e da especulação imobiliária, além de muitas outras "miopias" escritas no comentário, deve ter lido essas besteiras na Veja...

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