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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Clyde Escovinha ataca: agora é túnel com VLT


Fico satisfeito ao tomar conhecimento do anúncio feito ontem, em Santos, pelo governador do estado, Geraldo Alckmin, referente aos lendários projetos de ligação seca entre Santos e Guarujá e do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Ao que tudo indica, os técnicos do estado finalmente resolveram ler Prestes Maia, como sugeri no post de 25/11/10 ("Ponte Santos-Guarujá: falta ler Prestes Maia").
Como até as samambaias que ornamentam as fachadas do centro da cidade sabem, o urbanista Francisco Prestes Maia publicou, há 61 anos atrás, um estudo denominado Plano Regional de Santos, que reuniu uma série de artigos de sua autoria, publicados anteriormente no Digesto Econômico.
A contribuição de Maia ao planejamento da região tinha como maior foco a superação dos gargalos da infraestrutura de transportes e trânsito do porto. Como se vê, tudo muito familiar ao que hoje se discute nos meios técnicos portuários.
No capítulo III desta obra, Maia estudou exaustivamente as alternativas tecnológicas e locacionais para a ligação seca entre as margens direita e esquerda do porto. Como mencionei no referido post, trata-se de um exercício exemplar de método de projeto, o qual não poderia ter sido desprezado por tanto tempo, na atual polêmica que cerca o tema.
As opções ponte e túnel estão lá esmiuçadas e escarafunchadas, con todos os seus prós e contras, inclusive no tocante à localização, coincidentemente com o mesmo local de desemboque, do lado de Santos, ontem anunciado: o eixo Joaquim Távora-Xavier Pinheiro (ver figura acima).
O governador e seus secretários informaram, também, que a alternativa foi objeto de diligentes estudos, apoiados na análise de alternativas (enfim!), em pesquisa de opinião (tá na moda) e contagem de tráfego (espantoso!).
De quebra, foi anunciado o trilionésimo prazo para implantação do VLT e, pasmem, uma nova proposta de uso para a Hospedaria dos Imigrantes, que como não poderia deixar de ser, atende às expectativas reinantes no seio de nossa classe dominante: o treinamento de trabalhadores para o mercado.
Melhor do que tudo isso junto, só se for verdade. Mas como por ordem médica não posso me aborrecer, no tocante ao projeto do túnel, prefiro lembrar meus tempos de moleque, quando passava um desenho animado chamado Clyde Escovinha.
Clyde era um inventor, assessorado por seu fiel escudeiro Leonardo, que nunca abria a boca. A cada episódio, Clyde anunciava, desenhando no quadro-negro, uma nova e revolucionária invenção, como, por exemplo, o ovo, a cadeira, a roda etc.
É isso aí: Clyde Escovinha para governador!

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