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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A ponte dos gemidos

Em breve Santos poderá contar com seu passadiço e não vai mais ter inveja de cidades famosas que já contam com esse charmoso elemento arquitetônico, que tanto encantamento suscita nos turistas. Afinal, quem não admira a Ponte dos Suspiros (foto), em Veneza; o Passadiço da Glória em Diamantina; a Passarela da Faculdade, na Rua Riachuelo, em São Paulo; ou a passarela do shopping Brisamar, em nossa querida São Vicente.
Mas, ao que tudo indica, aqui a coisa estará mais para "ponte dos gemidos", pois a construção da "jóia arquitetônica" promete gerar bastante polêmica.
Aliás, bastante polêmica foi a transação que resultou na aquisição do terreno a partir de onde se quer edificar o passadiço.
Já tratei desta operação em alguns posts (ver "Outorga poderosa" em 21/6/11), mas acho que em breve vou reavivar a memória dos leitores e leitoras, pois o momento assim o requer.
Voltando ao tema principal, trata-se da construção de uma passarela de ligação entre o Praiamar Shopping e um empreendimento "corporativo", a ser construído no terreno onde ficava um campinho de futebol, na esquina das ruas Guaiaó e Prof. Pirajá da Silva. A notícia saiu no jornal A Tribuna de hoje (p. C4), porém o assunto já era ventilado nos corredores da Câmara.
A empresa promotora é a mesma que construiu o shopping, cujo terreno é uma das quatro áreas do INSS com ela permutadas, em troca de sete terrenos e respectivos postos de atendimento, por esta edificados em municípios diversos, mais uma torna em dinheiro. A operação, ratificada mais de uma década após a construção do shopping, em escritura pública do 8° Tabelião de Notas de Santos, em 30/6/2010, é objeto de apuração, pois não houve licitação pública, como soe ocorrer em situações como estas.
O empreendimento corporativo, que se quer ligar ao shopping por meio da passarela, construída a 12 metros sobre a via, possuirá três torres de 25 pavimentos, e será construído junto ao recem lançado empreendimento denominado Ville de France, do mesmo proprietário.
Na referida matéria jornalística, sabe-se que "o pedido de autorização ainda está sendo analisado" pela Prefeitura. Eu estou torcendo para que seja deferido, pois há tempos nutro a esperança de não ter que cruzar a avenida onde moro, para visitar minha mãe. Afinal, Santos tem um clima impiedoso e se a Prefeitura der uma mãozinha, vou mandar construir uma passarela sobre as árvores do canal. Será algo muito singelo, mas que vai me livrar da chuva e do sol, toda vez que atravessar a rua.
Mas coloco as barbas de molho, pois é bem capaz que alguém lembre que a passarela será edificada sobre via pública e ponha areia na proposta. É até capaz de alguém querer cobrar alguma coisa pelo uso do espaço aéreo, como fez Luiza Erundina, com o shopping West Plaza, em São Paulo. Na ocasião, a prefeita obteve recursos suficientes para construir 700 moradias populares.
Galhofas à parte, pois a questão é muito séria, merece destaque a afirmação contida na reportagem, segundo a qual, "a passarela não será um capricho arquitetônico ou estratégia de marketing para atrair compradores", mas "permitirá aos usuários dos edifícios utilizar as instalações do shopping sem grande necessidade de locomoção". Mais adiante, sabe-se que "o projeto está 100% regular" e, por isso, o responsável pelo empreendimento não vê problemas em sua aprovação.
É surpreendente até que ponto pode ir a cara-de-pau de certas pessoas.
Para finalizar, fico com Sérgio Buarque de Holanda, que em Raízes do Brasil (p. 137) assim escreveu:
"As constituições feitas para não serem cumpridas, as leis existentes para serem violadas, tudo em proveito de indivíduos e oligarquias são fenômenos correntes em toda a América do Sul".
Assino embaixo.   

2 comentários:

  1. Jose Marques Carriço... eu conheço?

    Creio que sim. Procurando seus antepassados por terras de Vale Perneto, se lembra?

    Pergunte ao Paulo Campos...

    Fernando Santos

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