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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Bem-vindo ao Caminho São José

A foto acima, obtida ontem, com algum risco a minha integridade física, retrata o abandono de trecho do Caminho São José, no Rádio Clube, em Santos.
Este local, recentemente, foi objeto de implantação de galeria de drenagem e aterro, precedidos de remoção de famílias, no âmbito das obras do PAC da Habitação, com recursos municipais e do Ministério das Cidades. Fica bem ao lado do conjunto habitacional Pelé II, também construído com recursos das mesmas fontes, onde colapsou um reservatório de água, em abril de 2010.
Nesta mesma área, presenciei um tiroteio, em ação policial, no ano passado. Trata-se de um local em que a ação do Estado foi substituída por atividades que dispensam comentários.
E para agravar a situação, a área aterrada virou um grande depósito de entulho a céu aberto. Como se pode observar, os sacos de material resistente denunciam que não se trata apenas de disposição de resíduos originados de pequenos geradores.
Mas aqui, não é apenas mais uma situação a reafirmar a inexistência de gestão de resíduos de construção civil em nossa cidade, como tantas outras que venho apontando neste espaço. Trata-se da utilização de uma área habitada por famílias de baixíssima renda, em estado de semi-abandono, por parte do Estado, para a finalidade de descartar o produto da frenética atividade imobiliária em curso em áreas habitadas por gente mais "fina".
Como se vê, os impactos ambientais do famigerado "boom" da construção civil não estão restritos somente às áreas onde se constroem as luxuosas torres.
Enquanto isso, permanecemos pacientemente aguardando uma política de gestão de resíduos produzidos pelo setor e uma lei de controle de impactos de vizinhança (vizinhança que pode estar a quilômetros de distância).

Um comentário:

  1. Vc como urbanista e preocupado com nossa cidade poderia verificar junto a prefeitura, o seguinte, porque quando a mesma coloca uma faixa nas ruas e as amarra ou em uma arvore, em um poste ou luminaria, sempre ao retirá-la não corta as amarras das arvores e dos postes, fazendo apenas o corte próximo as faixas, sempre deixando as amarras e pedaços de madeira pendurados o que mostra a não preocupação dos orgãos responsáveis com a imagem da cidade.....gostei muito de seu blog, parabéns, em Santos a população fala muito de problemas federais etc....e se esquece que em nosso umbigo temos muitos problemas também.

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