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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Por uma Política Municipal de Gestão de Resíduos

Sou avesso a críticas antecipadas, portanto, não vou emitir minha avaliação acerca da noticiada implantação de novo sistema de caçambas para coleta domiciliar de lixo, em alguns locais de Santos, sob responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente local.
Contudo, fica difícil entender como este programa se articula com a política municipal de resíduos sólidos, se é que ela existe. Penso que o município tem que aperfeiçoar a gestão do sistema e depois a destinação, nesta ordem, pois somente após a primeira estar definida, é possível saber o que será ou não disposto no aterro sanitário.
Portanto, também desconfio muito de propostas tipo incineração, ou mesmo de estimativas de vida útil do aterro sanitário do Sítio das Neves, sem que se esteja definida a quantidade de resíduos efetivamente resultante de um processo mais amplo de educação ambiental, que garanta efetivamente a redução do que vai para destinação final.
Neste ponto está o nó da questão. Sem esta definição, não há como estimar nada. Do contrário, vamos continuar jogando nosso dinheiro no lixo, literalmente.
Portanto, é fundamental que o município construa sua política de gestão de resíduos sólidos, por meio de um processo verdadeiramente democrático como está fazendo o governo federal, que abriu para consulta pública a Política Nacional de Resíduos, que pode ser acessada aqui.
Aliás, seria muito interessante se a Secretaria Municipal de Meio Ambiente estimulasse a sociedade a participar desta consulta e depois articulasse este processo com a construção de uma política local. Isto seria avançado e moderno, não a implantação de programas desarticulados de uma concepção geral de gestão.
Por fim, vale comentar que já começam a pipocar algumas manifestações acerca da implantação das novas caçambas, na imprensa local. E no meio destas opiniões, tenho lido coisas que explicam um pouco porque é complicado tratar da questão aqui em nossa terra.
Em Santos, há uma espécie de entendimento generalizado, segundo o qual, a qualidade do serviço se mede pelo número de coletas. Daí fica muito difícil reduzir o custo do serviço, pois há muita rejeição a implantação de um sistema comum em cidades européias ou em algumas cidades brasileiras, onde a coleta não se faz diariamente, pois nestas ninguém nada em dinheiro como aqui.
Também lamento muito a falta de ampliação do programa de instalação de containeres, iniciada pelo governo do prefeito David Capistrano e suspensa no governo de Beto Mansur. Estes equipamentos, instalados no Gonzaga e no BNH da Aparecida, mais adequados ao tamanho de nossos passeios, cuja coleta é feita por meio de equipamento instalado no caminhão coletor, são mais dignificantes para o trabalhador e mais limpos, pois impedem a colocação de sacos de lixo diretamente em via pública.
É absurda a afirmação de alguns munícipes, de que estas caçambas atraem insetos e ratos, pois a higienização das mesmas se faz da mesma forma que no caso de latões de lixo. A diferença, é que elas não passam por manipulação, o que gera menores riscos de contaminação e doenças.
O que falta é educação ambiental maciça, para que a população se adeque ao sistema e utilize os containeres corretamente.

Um comentário:

  1. Olá, José Marques!
    Ótimo post.
    Mas vc saberia dizer se o município de Santos já elaborou uma política de resíduos sólidos?
    Cristina

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