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domingo, 27 de novembro de 2011

O mercado imobiliário de elite mira São Vicente. Quem ganha com isto?

Em matéria da jornalista Alcione Herzog (ver abaixo), publicada na edição de hoje do jornal A Tribuna, apresento minha preocupação com o possível direcionamento, para São Vicente, da atividade imobiliária voltada para a elite. Minhas considerações estão no final da matéria.
Se fosse o prefeito, seria menos ufanista com o processo. Aliás, o discurso do chefe do Executivo vicentino assemelha-se muito ao dos dois últimos prefeitos santistas (incluindo o atual), quando se trata de enxergar benefícios, onde se deveria ter muita precaução.
Boa leitura.



São Vicente atrai atenção do mercado imobiliário 
Jornal A Tribuna, 28 de novembro de 2011, Caderno Economia, p. C-3
ALCIONE HERZOG
DAREDAÇÃO
De coadjuvante, São Vicente deve se tornar um dos destaques no processo de crescimento do mercado imobiliário na Região. Com a escassez de áreas em Santos e a saturação de novos empreendimentos em Praia Grande, o território calunga é visto pelos empresários do setor imobiliário como estratégico nos próximos anos. Os números começam a comprovar a tese. Segundo a Prefeitura, somente até outubro deste ano, deram entrada no Município 242 projetos de novas edificações para aprovação. Ano passado,foram223. O ritmo dos pedidos de alvarás para novas edificações e ampliações também é um indicador do crescimento do setor. Em 2010 foram expedidos 373 alvarás.Esteanojásão381. Mas são as perspectivas de verticalização da Cidade que chamam mais atenção. Na mira das construtoras como a bola da vez no cenário de prospecção e lançamento de condomínios residenciais e comerciais, o estoque de unidades da planta, em abril deste ano, era de 594unidades,conformelevantamento do pesquisador especialista em mercado imobiliário Robert Zariff. O gerente regional de construção civil da Caixa Econômica Federal, Sidney Soares Filho, acredita no potencial de crescimento construtivo e no aumento do número de financiamentos em São Vicente. "A demanda existe e a oferta ainda é pequena. As construtoras enxergaram a carência por novos empreendimentos no Município e já começam a ter outros olhos sobre a Cidade". O movimento de migração já começou. Sócio da Serlam Incorporação e Construção, Sérgio Novais Filho é um dos empresários do ramo que apostam na Cidade. Após iniciar a construção de quatro empreendimentos e lançar outros três em Santos, a empresa tocará, ao lado da Helbor, a primeira torre comercial na cidade. Conforme A Tribuna anunciou recentemente, será na área onde hoje funciona o Centro Esportivo Robinho. "Em termos de mercado, São Vicente concentra excelentes oportunidades neste momento tão importante da economia da Baixada, com a exploração de atividades ligadas ao pré-sal". Luana Dias, gerente comercial da Gávea Construtora, concorda. "Sentimos a procura dos clientes por uma alternativa à Santos, que não tem mais onde crescer e está com preços muito valorizados; e Praia Grande, cujo o trânsito na temporada é visto como ponto desfavorável. São Vicente é a bola da vez". Segundo Luana, além do Residencial Portal da Barra, em fase de construção na Rua Gonçalo Monteiro, a construtora tem outros quatro projetos como carta na manga. Um deles erguerá unidades de alto padrão na Avenida Padre Manoel da Nóbrega, em frente à Praia do Itararé. O segundo, de padrão médio, ficará na Rua Freitas Guimarães. "Há ainda um segundo empreendimento no Itararé e um outro na Biquinha, cuja área ainda está em negociação". Neste novo ciclo imobiliário ,Almeida Barros, proprietário da construtora de mesmo nome, foi o primeiro construtor local a pavimentar a viabilidade econômica de residenciais de médio e altopadrão na Cidade. "Tenho empreendimentos em Praia Grande. Em São Vicente só construía sobrepostas. Agora, a coisa mudou". Dois anos depois de entregar o condomínio Almeida Barros, na Frei Gaspar, ele dá o seu segundo passo com o futuro lançamento do Residencial de luxo Puerto Madero, cuja fundação, na Rua Rangel Pestana, está em andamento. Para o e especialista em mercado imobiliário Robert Zariff, adquirir agora uma unidade no território calunga é uma boa oportunidade para quem tem cacife. "Hoje, o custo médio do m² em Santos está em R$ 5,5 mil contra R$4,3 mil em São Vicente".

Incentivos atraem novos empreendimentos
Urbanização do Itararé é vista como atrativo para novos moradores
O prefeito Tercio Garcia (PSB) comemora a boa fase no setor e credita esse novo momento à legislação municipal de incentivo à construção civil, aprovada em 2006, permitindo que os impostos das novas edificações sejam cobrados dos investidores após a efetiva venda dos imóveis. A ação indutiva da Prefeitura produziu resultados já em 2006, quando a Prefeitura expediu alvarás correspondentes a 422.683 m² de construções, contra 110.894m² do ano anterior, uma diferença de 381% de um exercício para o outro. "São fatores de qualificação da Cidade que atraem aqueles que pretendem investir na construção civil para vender bem seus imóveis. E os compradores sabem que a Cidade está melhorando, tem projetos para o futuro e uma garantia de seriedade na gestão", disse. Ele cita a urbanização da Praia do Itararé, a ciclovia do Gonzaguinha, as obras do teatro municipal e o acesso gratuito à internet como alguns exemplos de ações que refletem na valorização dos imóveis da Cidade. "O reflexo direto são os novos pedidos de alvarás, mais construções e mais empregos e renda para nossa população".

CONTROLE
Apesar do otimismo, uma importante pergunta que se coloca a partir de agora é: mesmo ainda embrionário, o processo de verticalização é positivo ou negativo para quem mora em São Vicente? Para o arquiteto e urbanista José Marques Carriço, o problema não é a verticalizaçãocoletivo estruturante como o futuro VLT ­ e, nessas áreas, induzir a construção de empreendimentos sem vagas na garagem ou com número reduzido. Embora polêmica, em São Paulo essa discussão de desestimular a cultura do automóvel já está posta". Carriço avalia São Vicente como uma cidade ainda mais frágil do que Santos para encarar uma verticalização sem controle. "O sistema viário é menos preparado e mais limitado e as famílias têm menor poder aquisitivo para se beneficiar deste processo", justifica.

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