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domingo, 4 de dezembro de 2011

O que andam combinando no breu das tocas

Li no Estadão deste domingo nublado que o Ministério Público paulista acabou de adquirir o Guardião, "equipamento que intercepta simultaneamente telefonemas de todos os alvos de investigação" (leia mais aqui). 
Segundo esta fonte, "a nova aquisição ficará à disposição das unidades mais sensíveis da promotoria, empenhadas exclusivamente no combate ao peculato e à violação aos princípios da moralidade na administração pública". 
Pelo que foi publicado, a traquitana já é usada pela Polícia Federal em missões contra o crime organizado e a corrupção.
Fiquei aliviado e esperançoso, com o salto tecnológico de nosso MP. Quem sabe algum promotor resolve utilizar a tecnologia para apurar como o deputado estadual licenciado e atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), continua apresentando emendas parlamentares mesmo não exercendo mais a função legislativa (saiba mais aqui).
Como estas emendas são fruto de atribuição exclusiva da atividade de deputado estadual paulista, a ingerência de um representante do primeiro escalão do Executivo no legislativo configura-se em violação do princípio basilar da independência entre os poderes.
Após assumir a legislatura iniciada em 2011, o deputado conseguiu empenhar R$ 700 mil para este ano. Todas as emendas foram destinadas a Santos, terra que o secretário sonha governar a partir de 2013.
Aliás, independentemente deste affair, a liberação de emendas de Paulo Alexandre já se configurava em um escândalo. Lendo matéria publicada à pág. A10 da edição de 6/11, da Folha de São Paulo, descobri que Paulo Alexandre conseguiu liberar R$ 10,4 milhões, entre 2007 e 2010.
Para se ter uma idéia do que isto representa, em conjunto (por que separadamente seria difícil sensibilizar o palácio dos Bandeirantes) a bancada do PT, maior partido da Casa, conseguiu liberar R$ 11,8 milhões. 
Ao se detalhar a destinação dessas emendas, pode-se verificar a imensa teia de entidades e ONGs que receberam as atenções de Paulo Alexandre e certamente lhe serão muito gratas, no futuro próximo.
E esta desproporção não é privilégio de Alexandre, pois outros queridinhos do governo paulista conseguiram liberar valores semelhantes. Mas de qualquer forma, fica evidente como os tucanos se movimentam no submundo para tentar emplacar o secretário, como prefeito de Santos.
Ou seja, we the people de São Paulo, estamos bancando a construção de candidaturas apoiadas em benesses distribuídas de forma pouco ou nada democrática.
Portanto, investigar o que andam combinando no breu das tocas, como dizia Chico, é um bom teste para o novo equipamento de nosso MP. 

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