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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O problema da população flutuante

Pegando o mote do post anterior, esclareço minha crítica ao modelo turístico adotado em nosso Litoral, baseado na produção de moradias para veraneio.
Trata-se de um modelo perverso, pois na maior parte dos municípios, sobretudo naqueles em que a população flutuante é percentualmente mais significativa, os governos investem fortunas para ofertar infraestrutura e serviços dimensionados para uma demanda muito superior à necessária ao consumo em épocas fora de temporadas e feriados.
Para uma correta avaliação, sugiro comparar as tabelas acima, com populações flutuantes e fixas da Baixada Santista, apresentadas, respectivamente, no site InvestSantos e no Plano de Bacia Hidrográfica da Baixada Santista - 2008-2011.
Peço especial atenção para a diferença, entre Guarujá e a soma de Santos e São Vicente, no que concerne às populações fixa do Censo 2010 e flutuante estimada, questão à qual me referi no post anterior.
O que quero ressaltar, é o fato de que a demanda por serviços essenciais, pela população fixa, majoritariamente residente em áreas mais pobres, em grande parte não é atendida, como no caso dos morros citados no post mencionado.
E observem que estou me referindo a Santos, cuja população fixa sem atendimento é pequena, percentualmente (ver tabelas). Mas em outros municípios do Litoral, a situação é bem mais grave, pois é nos bairros habitados pela maior parte da população fixa que falta quase tudo.
Enquanto isso, as melhores localizaçãoes, com as melhores infraestruturas, são destinadas aos negócios imobiliários, voltados aos turistas que adquirem ou alugam residências, ociosas na maior parte do ano.
É um sistema cruel, como é o impedimento ao acesso às praias do Rabo do Dragão, denunciado ultimamente pelo Diário do Litoral.
Ou seja, os turistas, apesar dos recursos que deixam e que fazem movimentar o comércio local, ficam com o filé e nossa população com o osso.
Defendo, pois, uma mudança radical no modelo de turismo em nosso Litoral, priorizando-se o atendimento da população local, na oferta de serviços essenciais, restringindo-se ao máximo a produção imobiliária destinada a veraneio, incentivando o uso de pousadas e hotéis, o que me parece muito mais sustentável.
Aliás, o próprio turista tem a agradecer, se nossa população tiver água e esgoto em níveis satisfatórios, pois nossos rios e praias ficarão mais limpos e balneáveis.

Um comentário:

  1. Embora seja de dificil aplicação e de contestação juridica, as prefeitura deveriam cobrar uma taxa sobre o IPTU de veranistas- segunda residencia - e essa arrecadação ser investida em politicas públicas que venham melhorar a qualidade de vida da população. Falta também inserir a população nas atividades economicas do turismo, visando melhorar o padrão de renda dos mesmos, mas para isso precisa politicas públicas especificas que fomentem o empreendedorismo, criem roteiros comunitários, profissionalizem as pessoas, fomentem a cultura local, o folclore, o arteanato, a gasgronomia tipica e dai por diante. Fomentem o turismo social, direcionando, apos levantamentos, a possibilidade de hospedar turistas em casas de moradores. Isso tudo compensará, em parte a falta do planejamento turistico das chamadas estancias balneárias, que na sua maioria de turistcas não tem quase nada.
    Otavio Demasi consultor de turismo, jornalista Mtb 32548
    www.odtur.blogspot.com

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