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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Barca furada

Mais um caso de morte e internações causadas pelas precárias condições sanitárias dos cruzeiros marítimos colocam em xeque iniciativas como a escola Tripulantes do Futuro, implantada pela Prefeitura de São Vicente, inaugurada no mês passado, na Avenida Nações Unidas.
Com suspeita de contaminação pelo vírus H1N1, a morte da garçonete santista Fabiana Pasquarelli (30) e a internação de três passageiros e mais sete tripulantes do navio MSC Armonia, lançam ainda mais dúvidas acerca das condições de salubridade dos cruzeiros e das condições de trabalho da tripulação.
Minha própria família já foi vítima das más condições sanitárias em uma viagem dessas. Minha mãe ficou seriamente enferma, junto com dezenas de outros passageiros, sujeitos a um péssimo atendimento médico, remunerado em dólar. Aliás, se dependesse da companhia de navegação, ela poderia ter falecido no episódio.
Segundo informações prestadas pelo advogado da vítima, Fabiana já estava doente quando chegou da última viagem e embarcou no cruzeiro com medo de perder o emprego. Mas mesmo doente, a garçonete não foi autorizada a descer do navio, no Rio de Janeiro.
Ainda conforme o advogado, é preciso denunciar as condições de trabalho da tripulação, que considera 'trágicas'. ''As condições de trabalho e a falta mínima de saúde a bordo de um navio desses devem ser denunciadas''. Lei mais aqui.
Além da baixa remuneração do setor, a exposição às condições sanitárias a bordo desses navios fazem desses jovens profissionais versões modernas dos tripulantes da era das grandes navegações.
Portanto, não vejo nenhum futuro para nossos jovens neste ramo. Sinceramente, o espaço da escola inaugurada em São Vicente seria melhor utilizado para outra finalidade no ramo da educação. Qualquer uma, menos deixar nossos meninos e meninas à deriva nessas modernas galés.

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