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segunda-feira, 19 de março de 2012

Da Rede Brasil Atual: Classe média se movimenta contra especulação imobiliária

Uma colaboradora especial enviou-me a notícia abaixo, que me recorda alguns movimentos surgidos aqui em Santos, como no Embaré, Pompéia e José Menino (o mais recente).
A conclusão da reportagem coloca uma questão crucial, a conexão entre a verticalização selvagem e a qualidade de vida dos mais pobres. Esta questão é central, porque perceber seu caráter sistêmico é essencial para que a luta por uma cidade mais justa e ambientalmente equilibrada não seja foco de ações fragmentadas.

Classe média se movimenta contra especulação imobiliária

Publicado em 12/03/2012
Por Nicolau Soares, especial para a Rede Brasil Atual.

Leia o original aqui.
Uma parcela crescente da classe média paulistana parece ter despertado para os problemas gerados pela escalada do mercado imobiliário na cidade – com amplo apoio da prefeitura liderada por Gilberto Kassab (PSD). São vários os movimentos que mostram um engajamento maior nas discussões sobre o patrimônio histórico e arquitetônico de São Paulo e o direito de cada cidadão à cidade.
Uma dessas mobilizações estará nas ruas neste sábado, quando se completa um ano de fechamento do Cine Belas Artes, na região central de São Paulo. O Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA) está organizando uma manifestação em frente ao prédio, perto da esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista, para pedir a reabertura do cinema. Os ativistas se preocupam com a perda do patrimônio cultural e de identidade do bairro.
O movimento conseguiu na Justiça em dezembro a reabertura do processo de tombamento do imóvel, negado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), ligado ao governo do Estado.
Outro exemplo antigo está na luta – bem sucedida – dos moradores do Itaim Bibi contra a intenção do prefeito de vender uma série de equipamentos públicos no que ficou conhecido como o “Quarteirão da Cultura”. A proposta de venda do trecho delimitado pelas ruas Horácio Lafer, Salvador Cardoso, Cojuba e Lopes Neto foi recentemente arquivado pela prefeitura, por falta de tempo para completar o processo licitatório até as eleições.
Mais recente, surgiu o “Moradores de Pinheiros contra a Verticalização”, que se define em sua página no Facebook como um “movimento livre da sociedade civil de ação contra a verticalização desenfreada no bairro, dizendo não a este mercado imobiliário irresponsável que tem a permissão do poder público para atuar na cidade de forma esmagadora e sem respeito à população e à vida na cidade.” A primeira mobilização acontecerá no dia 31, com concentração às 15h na Praça Benedito Calixto, marco do bairro.
Os movimentos são numericamente pequenos e suas pautas bastante concentradas. No entanto, a força política da classe média não pode ser desprezada. O atraso e desistência da prefeitura em vender o Quarteirão da Artes são, em muito, resultado da ação dos moradores, que conseguem espaços na mídia com muito mais facilidade que os movimentos populares e são vistos com maior simpatia pelo conservador meio jurídico.
Atingidos diretamente com a falta de moradia adequada e ameaça de expulsão, as classes mais pobres já estão preocupadas e, em parte, organizadas contra as recentes ofensivas do capital imobiliário. Mas, sem apoio da mídia e no cenário conservador da capital paulista, sua força é pequena. A entrada em cena da classe média teria o potencial midiático e político de alavancar essas demandas e barrar o apoio do Poder Público à ação desenfreada do mercado. Para isso, é preciso que os moradores de Pinheiros, Itaim e da região da Paulista que estão incomodados com as mudanças em seus bairros percebam a ligação direta e inseparável entre estes fatos e o sofrimento cotidiano de famílias pobres na Favela do Moinho ou na região da Luz.

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