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quinta-feira, 22 de março de 2012

O urbanista João Meyer comenta a pesquisa da Poli/USP sobre vagas de veículos

O arquiteto e urbanista João Meyer, da FAU USP, especialista em mercado imobiliário, comentou o estudo acerca do impacto das vagas de veículos em empreendimentos imobiliários, objeto do post anterior.
A pesquisa foi realizada pelos pesquisadores Hamilton de França Leite Júnior, Claudio Tavares de Alencar e Vanderley Moacir John, do departamento de Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP.
Segundo Meyer, para construir cada vaga no subsolo é necessário de 25 a 30 m² entre área de estacionamento e circulação. Geralmente este número é mais próximo de 30m², porque para reduzi-lo são necessárias condições especiais de projeto. Somente o custo de construção desta vaga é superior a R$ 30.000. E pode aumentar, se o subsolo encontra o lençol freático e vai exigir a construção de parede diafragma, caríssima, como no caso do litoral.
Meyer aponta, ainda, que para vender, o incorporador precisa incluir os custos de impostos, lucro, administrativos, corretagem, publicidade, legais, projetos etc. Assim, não se vende uma vaga por menos de R$ 60.000. Segundo ele, este acréscimo no preço do apartamento pode ser a diferença entre morar próximo do centro ou na periferia.
Portanto, ao invés de morar próximo do trabalho e do metrô, no caso de São Paulo, a família vai ficar entre duas a três vezes mais tempo ocupando o sistema viário, em um automóvel ou em um ônibus, para chegar ao trabalho, aumentando os congestionamentos.
Para o urbanista, a exigência de vaga pela legislação municipal acaba contribuindo para piorar o trânsito. Este modelo não é sustentável, inclusive porque as famílias que foram para a periferia acabam fazendo a cidade expandir para áreas ambientalmente frágeis, derrubando matas, ocupando mananciais ou áreas com topografia acidentada; e sem infraestrutura.
Sem a exigência de vaga, estas famílias poderiam morar em locais onde já há infraestrutura e serviços. Por isso as áreas centrais estão perdendo população, escolas e postos de saúde estão ociosos, e algumas são obrigadas a fechar por falta de alunos.
Meyer ressalta que o preço mínimo de uma vaga equivale a três vezes o preço de um carro popular com dois anos de uso. Por isso, depois de comprar uma vaga por R$ 60 mil, o carro é o de menos. 
Para Meyer, no caso de Santos, esta é a diferença entre morar em São Vicente ou Zona Noroeste, ou ter que ir para Praia Grande. Em São Paulo seria a diferença entre morar no Brás ou ir para Guarulhos, comprar no Butantã ou em Cotia.
O que é importante perceber, assinala Meyer, é que com esta exigência legal, “estamos fazendo as pessoas ficarem horas no transito, detonando as matas, esvaziando o centro, aumentando o investimento público em infraestrutura, subutilizando e sucateando os equipamentos centrais, encarecendo o orçamento familiar e o preço dos apartamentos, congestionando a cidade. Tudo em nome do automóvel”. Com este modelo de urbanização baseado no automóvel, não se dá as famílias a opção de preferir morar nas áreas centrais, “sem carro, ao invés de ir para Suzano de carro”.
O urbanista completa lembrando que o zoneamento exige uma vaga por apartamento, no mínimo. Assim, o carro se torna exigência para a cidadania em São Paulo e em Santos. Mas, segundo ele, evidentemente a opção de construir e comprar apartamentos sem vagas só deve ser dada em locais próximos de transporte coletivo de massa: metrô, corredores de ônibus etc. Onde estas obras estiverem em andamento, pode-se dispensar a exigência de vagas.
Assino embaixo!

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