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terça-feira, 17 de abril de 2012

Migração intrarregional: Uma nova e edulcorada versão

Na reportagem abaixo, publicada na página 5 do jornal Folha da Baixada, de 31/3, representante do setor imobiliário dá provas de que Millôr estava certo quando cunhou a frase "o livre pensar é só pensar". Segundo um dos empresários ouvidos pela jornalista, o que tem atraído moradores de Santos para Praia Grande é o preço mais reduzido dos imóveis, que estaria 30% mais barato nesta cidade, em relação a primeira.
Até aí, trata-se do óbvio, mas a tese defendida na matéria é que, hoje seria possível adquirir imóveis na região da orla desta cidade, mais baratos do que muitos imóveis em Santos, e portanto estaria aí a razão da mudança maciça de moradores de uma cidade para a outra nas últimas décadas.
Brilhante exercício de retórica. Numa só tacada livra-se a cara do setor, que só produz para a elite e ao mesmo tempo exalta-se uma falsa oportunidade de escolha, como se, na hora de se decidir onde morar, nada valesse a localização dos empregos, disparadamente em maior número em Santos, e outros fatores de atração, como maior rede de serviços, proximidade da família, dos amigos e outros.
E de quebra, ainda se propaga a ideia de que, com o desenvolvimento do mercado imobiliário em Praia Grande, os jovens não precisam mais mudar para São Paulo, como se o crescimento do Porto e o pré-sal (sempre ele), fossem os responsáveis por tornar o município melhor alternativa às oportunidades de emprego na capital.
Considero as praias de Praia Grande belíssimas, mas acho difícil que famílias santistas decidam morar neste município para residir perto delas. O fator decisivo para a mudança é uma conta muito simples que a família realiza, levando em consideração a economia com habitação e outros fatores que pesam no custo de vida, e ponderando o que se vai gastar a mais para viajar por horas, no péssimo transporte público ou em automóveis, nas entupidas vias regionais. Infelizmente, é uma conta que despreza, às vezes, a brutal perda de tempo e de qualidade de vida, decorrente da perda de mobilidade, em virtude da decisão locacional.

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