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sexta-feira, 18 de maio de 2012

É esse pessoal que vai administrar nosso VLT?

Se é que vai sair do papel, nosso sempre prometido Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) já nasce sob forte suspeita de má administração, pois estará sob a (ir)responsabilidade do governo estadual, que não consegue fazer os trens da CPTM andarem e agora não estão mais conseguindo fazer o Metrô de São Paulo parar.
Leia a reportagem da Folha e o post abaixo, do Blog do Luís Nassif e responda: você emprestaria seu carro a eles?

Metrô deveria ter trocado sistema em 2011
Contrato firmado em 2008 previa substituição de equipamento que falhou; estatal diz que toda a rede terá nova tecnologia
Empresa que venceu licitação foi multada em R$ 10 milhões por atraso; falha no sensor causou colisão de trens
RICARDO GALLO
EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO
O sistema de sinalização da linha 3-vermelha do metrô de São Paulo deveria ter sido trocado por outro, mais moderno e seguro, no ano passado.
Foi uma falha em um dos circuitos de sinalização nessa linha que levou um trem a bater em outro, anteontem, entre as estações Penha e Carrão, na primeira colisão de trens com passageiros na história do Metrô; pelo menos 49 passageiros se feriram.
O contrato para a troca da sinalização foi firmado em 2008, no valor de R$ 706 milhões. Previa a conclusão dos serviços em toda a rede em julho de 2011. Até hoje, apenas parte da linha 2-verde recebeu o sistema. A linha 4, privatizada, instalou o seu.
O atraso motivou o Metrô a multar a Alstom, contratada para o serviço, em R$ 10 milhões. Nem Metrô nem Alstom disseram a razão pela qual o processo atrasou.
Com 1,1 milhão de passageiros por dia, a linha 3 é a mais movimentada do Metrô.
SENSORES
Há uma diferença entre o sistema usado na linha 3 e o que já deveria estar instalado: no atual, sensores na via controlam automaticamente o deslocamento dos trens. É a mesma concepção de quando a linha abriu, em 1979.
Na nova tecnologia, não há sensores na via; o trem se comunica diretamente com o sistema. Foi um sensor antigo que falhou e fez o trem acelerar em vez de reduzir. A menos de 150 m do trem da frente, ele deveria ter parado, mas avançou -foi o maquinista que usou o freio de emergência para evitar uma tragédia.
O sistema atual é tido como ultrapassado, mas seguro. O Metrô disse não haver relação entre a implantação da nova tecnologia e o acidente.
Mas o novo equipamento, considerado pelo Metrô o mais avançado do mundo, tem mais mecanismos para eliminar possíveis falhas, a ponto de ter sido desenhado para funcionar sem maquinista, como já ocorre na linha 4-amarela, e permitir que os trens circulem mais perto uns dos outros.
"Hoje os metrôs mais modernos do mundo operam com esse sistema (...)", disse ontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Você tem muito mais segurança."
Colaborou DIÓGENES CAMPANHA


Os apuros de Serra, por Kotscho


Do Balaio do Kotscho
De uma hora para outra, os paulistanos descobriram que existem sérios problemas no funcionamento do metrô, responsabilidade do governo do Estado, assim como ficamos sabendo que há um esquema de corrupção montado há anos para a liberação de imóveis na Prefeitura.
O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e o prefeito Gilberto Kassab, do PSD, agora unidos no apoio ao tucano José Serra na sucessão municipal (os dois se enfrentaram na eleição de 2008), raramente aparecem no noticiário, a não ser em inaugurações de obras e articulações políticas.
É como se São Paulo fosse uma ilha de paz e beleza, onde tudo funciona e o povo vive feliz, cercada por um país chamado Brasil, cheio de problemas e sempre em crise.
Depois de várias paralisações e transtornos nas últimas semanas, o grave acidente do Metrô na quarta-feira, que deixou mais de 100 feridos, revelou o descaso da administração estadual, que reduziu, ao invés de aumentar, os investimentos no sistema.
Reportagem da Folha desta quinta-feira denuncia que, de 2010 para 2011, o governo reduziu em 20,4% os recursos ( de R$ 236 milhões para R$ 188 milhões) destinados à manutenção da Linha 3 - Vermelha, onde ocoreu o acidente, que transporta 41% dos passageiros de toda a rede.
Como já me alertava um dos técnicos responsáveis pelo controle de tráfego do Metrô, em encontro com amigos no final do ano passado, o Metrô paulistano estava à beira de entrar em colapso, não só pela queda dos investimentos em manutenção, mas também pela implantação atabalhoada de um novo sistema automático.
A falha técnica, apontada como causa do acidente em que dois trens se chocaram na zona leste, é apenas consequência da relapsa administração do Metrô paulistano, também envolvida em denúncias de desmandos e irregularidades nas licitações. Pequenos acidentes são comuns e nós nem ficamos sabendo, disse-me o técnico.
Como se não fosse com ele, bem ao estilo tucano, o governador Geraldo Alckmin desandou a falar de investimentos numa nova linha do Metrô na zona norte, a Linha 6 - Laranja, no mesmo momento em que eram recolhidos os feridos entre as estações Penha e Carrão. Alckmin mandou ao local seu secretário dos Transportes, Jurandir Fernandes, e continuou calmamente dando entrevistas sobre os seus planos.
Na mesma semana em que os paulistanos descobriram a gravidade da situação do Metrô, multiplicam-se as denúncias sobre o esquema montado na Secretaria Municipal de Habitação por Hussain Aref Saab, homem de confiança de Kassab e Serra, ex-diretor responsável pela liberação de construções de imóveis em São Paulo, que construiu um patrimônio de mais de R$ 50 milhões nos últimos sete anos em que comandou o setor.
Um grupo do Ministério Público de São Paulo especializado em lavagem de dinheiro agora abriu inquérito para investigar a origem dos bens de Aref, que comprou 106 imóveis de 2008 para cá, com um salário bruto de R$ 9 mil.
Mais do que a evidente suspeita de corrupção em larga escala e por tempo prolongado, são incalculáveis os prejuízos causados à cidade pela liberação de obras em áreas de preservação, fora dos limites impostos pela legislação, que causam novos problemas ao já caótico trânsito paulistano.
Os repórteres Rogério Pagnan e Evandro Spinelli, da Folha, que revelaram o escândalo mantido, aparentemente, em segredo de Justiça pela Corrgedoria Geral do Município, acionada por Kassab depois de receber uma denúncia anônima contra Aref, em fevereiro, a cada dia trazem novas revelações sobre o esquema.
A mais estarrecedora até agora é que Aref recebeu de graça seis apartamentos num prédio em frente ao Parque do Ibirapuera como pagamento por serviços de consultoria prestados por sua empresa, a SB4.O problema é que o contrato é de 2006 e a empresa só foi criada dois anos depois.
Na verdade, houve uma troca. O ex-diretor ganhou os apartamentos como pagamento para liberar o funcionamento do centro de convenções WTC, processo que estava parado há mais de um ano, empresa dos mesmos donos da construtora que lhe deu os apartamentos.
Com Kassab e Alckmin em apuros, a conta vai sobrar para a campanha de José Serra, que reage olimpicamente diante destes fatos, como se não tivesse sido prefeito e governador de São Paulo até recentemente.
Em campanhas eleitorais, aparece sempre o imponderável. A quatro meses e meio da abertura das urnas eletrônicas, os apuros de Alckmin e Kassab podem influenciar negativamente na campanha do favorito José Serra, assim como, no Rio, as fotos da farra de Sergio Cabral com Fernando Cavendish em Paris certamente não ajudam seu candidato, o também favorito Eduardo Paes.
Que novas surpresas nos aguardam?
Leia o original aqui.

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