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terça-feira, 8 de maio de 2012

Picuinhas eleitorais e o lugar do povo na "revitalização" do Centro de Santos


Um artigo virulento de Vicente Cascione (imagem acima), como é de seu estilo, publicado na Revista AT de domingo último, apresenta sérias críticas ao programa municipal Alegra Centro, que desde 2003 visa "revitalizar" a área central de Santos.
A resposta veio pela matéria publicada na edição de hoje do jornal A Tribuna (imagem abaixo), que imputa a culpa pelo abandono de uma das vias do Centro aos "vândalos", este povo bárbaro que usa drogas e sobe nos "postes de época" para roubar peças de metal e trocar por seus paraísos artificiais.
O articulista concentra as críticas no estado de conservação e à segurança do calçadão da Rua Dom Pedro II, onde tem seu escritório. Talvez assim o faça por dificuldade de enxergar a cidade como um todo e quiçá a região. Fora a preocupação com seu pedaço, nenhuma crítica aos imóveis fechados em todo o centro, ou aos milhões de renúncia fiscal até agora destinados ao programa.
No arroubo jornalístico, sobrou até para a Procuradoria Fiscal do Município (PROFISC), cuja sede em mau estado de conservação também se localiza no referido logradouro, sobre o qual gotejam impunemente efluentes dos aparelhos de ar condicionado que refrescam seus funcionários.
Mas para quem acompanha de perto os bastidores da política local, o foco das críticas pode ser muito menos a política de revitalização do Centro, do que aspirações atinentes ao pleito que se avizinha.
Desse episódio, o que considero mais lamentável, é que nessa briga pelo poder ambas as partes se eximem de discutir aprofundadamente a causa central da degradação de nossa área central: a política urbana municipal que há quase meio século afastou as residências do bairro e depois apostou suas fichas em um pretenso processo de "revitalização", que ignora o espaço das classes populares e pequenos empreendedores neste processo.
E não me falem em "Alegra Centro Habitação", pois até agora não se sabe a que veio esta nova fase do programa, cuja área de abrangência fica no setor "Afeganistão" do Centro. Ou seja, longe das vistas e narinas de gente fina.
O que é fato é a gestão da área central voltada para a gentrificação, apoiada num superficial embelezamento de sua parte mais elitizada (setor cafeeiro/corporativo), e que insiste em ignorar políticas inclusivas e de apoio aos "vândalos".
De resto, está a se virar uma significativa gama de pequenos e médios comerciantes e prestadores de serviços, na área menos "nobre" do Centro, que resiste tenazmente a anos de equívocos e obras de urbanização mal executadas.
A estes comerciantes e ao povo ignorado e ignorante, presto minha solidariedade.

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