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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pisa é aqui


Deu na Folha (abaixo). A situação dos edifícios em desaprumo, em Santos, beira o pitoresco, mas é grave. E até agora a Prefeitura não conseguiu muito sucesso na missão de convencer os condomínios a corrigirem, ou ao menos congelarem esta situação. O custo das obras é elevadíssimo e está fora do alcance das famílias que vivem nestes prédios. Está na hora de sermos criativos e buscarmos uma solução coletiva. 
Talvez fosse uma ideia interessante juntar os síndicos e procurar a Caixa, e buscar financiamento com proposta de intervenções, que pelo ganho de escala se tornassem mais baratas. 
Mas por enquanto, a Prefeitura só faz monitoramento. Até quando?
Foto: Folha de São Paulo
07/06/2012 - 09h55

Santos (SP) tem prédio com inclinação de até 1,80 metro

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DE SÃO PAULO

Um levantamento inédito realizado pela Prefeitura de Santos (litoral de São Paulo) mostra que 65 dos famosos prédios tortos da orla da cidade têm inclinação considerada grave --entre 0,5 e 1,8 metro. A informação é de reportagem de Andressa Taffarel e Natália Cancianpublicada na edição desta quinta-feira da Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
As medições começaram em 2008 e 651 edifícios foram avaliados. Apesar de os valores serem considerados preocupantes, isso não quer dizer que os prédios serão interditados ou demolidos. É possível que a administração municipal determine que parte dos prédios inclinados seja "endireitada", como já ocorreu com o Conjunto Nuncio Malzoni.
A composição do solo da cidade --formado por camadas de areia e argila-- é a principal causa da inclinação dos prédios. A pressão exercida por prédios construídos na vizinhança também ajuda a entortar ainda mais os edifícios.

AREIA E ARGILA
O principal causador da inclinação dos prédios é a composição do solo de Santos. Formado por camadas intercaladas de areia e argila, ele é considerado mais "mole", explica o professor da Poli-USP Carlos Eduardo Maffei.
Mas a pressão exercida por prédios construídos na vizinhança também ajuda a entortar ainda mais.
O ideal é que as fundações dos edifícios cheguem até a camada de rochas, que, nessa região, está a cerca de 50 metros de profundidade.
Entre os anos 1950 e 1970, porém, para economizar, as construtoras faziam fundações com apenas 4 ou 5 metros.
DESVALORIZAÇÃO
Apesar de chamar a atenção de quem passa pela orla santista, os prédios tortos são uma grande dor de cabeça para parte de seus moradores.
Móveis com calço, chão nivelado e vista inclinada da varanda são muito comuns, mas o principal problema é a desvalorização do imóvel.
É essa, aliás, a justificativa da maioria das pessoas para não querer falar sobre o assunto.
Ao tentar conversar com moradores e síndicos sobre como é viver em um desses apartamentos, o que a reportagem mais ouviu foi: "Não falo sobre isso porque desvaloriza ainda mais o prédio".

Na base do jeitinho, morador se adapta a 'entorta-endireita'

DA ENVIADA A SANTOS

Quando a santista Marcilia Ribeiro, 69, deixou Campinas (a 93 km de SP) para voltar à cidade natal, há seis anos, não pensou duas vezes ao comprar um apartamento com vista para a praia -e bem torto- pela "bagatela" de R$ 160 mil.
"Onde conseguiria morar de frente para o mar por esse valor? Além do mais, nasci aqui, sei que esses prédios não vão cair", afirma ela.
Mas a certeza de Marcilia foi assombrada pela avaliação de um engenheiro: se não fosse endireitado, o bloco B do edifício Nuncio Malzoni, de 1970, poderia ruir. A inclinação já chegava a 1,7 m.
A obra foi concluída no começo do ano passado. O bloco A também voltou ao nível normal, mas 14 anos atrás.
Marcilia, que não se importava em levar uma "vida torta", faz graça da mudança. "Antes eu só via o poste na praia. Agora vejo o banquinho também", conta ela, rindo.
Parte do apartamento teve o chão nivelado quando o prédio estava torto. Agora, que voltou ao normal, ela nem pensa em gastar para endireitar de novo -o jeito é colocar um "calcinho" embaixo da cama.
"Antes, quando limpava a cozinha, corria para puxar a água do chão antes que entrasse no hall. Agora, tenho que dar outros jeitinhos."
Quem comprou unidade no prédio já comemora: apartamentos adquiridos por R$ 170 mil já valem quase R$ 500 mil.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/47414-na-base-do-jeitinho-morador-se-adapta-a-entorta-endireita.shtml

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