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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

E o "nosso" Corredor Vasariano?

O sol da Toscana frita os miolos de milhares de turistas, que cruzam freneticamente o caminho entre a Piazza della Signoria e o Pallazzo Pitti.
É uma tarde estival de julho, beirando os 40 graus Celsius em Firenze. O clima abafado e a agitação da Babel em busca de um melhor ângulo para fotografar uma das mais belas cidades do planeta, escondem um segredo que somente os turistas mais atentos e os estudiosos da arte renascentista conhecem: o Corredor Vasariano.
Em 1565, o Grão-Duque Cosmo I de Medici determinou ao arquiteto Giorgio Vasari que construísse uma passarela elevada ligando o Pallazzo Vecchio (foto acima), sede do governo, ao Pallazzo Pitti, sua residência.
A obra deveria permitir que o Grão-Duque e sua família percorressem, sem serem notados e castigados pelo clima inclemente, os mais de mil metros do trajeto.
No meio do caminho havia a Galleria degli Uffizi e o Ponte Vecchio (foto abaixo) e seu mercado de carne, que foi removido convenientemente para permitir a realização da obra.
Hoje, a Galleria, outra obra de Vasari, abriga a maior coleção de arte renascentista do mundo. A Ponte, por sua vez, é a mais antiga sobre o Arno, pois as demais foram bombardeadas na Segunda Guerra e abriga um barulhento comércio de jóias, que encanta os turistas mais abonados.
O pano de fundo da construção do Corredor foi a instalação do novo governo, que aboliu a antiga República Fiorentina, e o receio do Grão-Duque em enfrentar o descontentamento do povo nas ruas.
A construção do Corredor enfrentou oposição da família proprietária da Torre de'Manelli, na margem esquerda do Arno, do outro lado da Ponte. Esta oposição obrigou Vasari a projetar um contorno no edifício, para que a passarela pudesse atingir seu objetivo.
Por ocasião da visita de Hitler a Firenze, Mussolini realizou algumas intervenções na passarela, situada sobre a Ponte, visando ampliar a visão da bela paisagem do vale do Arno. Dizem que foi esta vista que poupou a Ponte da mesma sorte das demais, após a retirada Nazista.
Hoje o corredor, que conserva uma magnífica coleção de retratos da nobreza fiorentina, só pode ser visitado por meio de agendamento.
Mas como já comentei diversas vezes neste espaço (leia aqui), Santos também possui aspirações a ter seu próprio "Corredor Vasariano", ainda que seu promotor não seja da mesma estirpe dos Medici. A proposta de construção de passarelas sobre vias públicas na cidade, em especial um importante exemplar, no bairro da Aparecida, vem sendo discutida há um ano e já foi aprovada pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano.
Mas até agora o projeto não chegou na Câmara. Pessoalmente espero que não chegue, mas receio que o pavor de nosso Grão-Duque de cruzar com a choldra pelas ruas do bairro seja mais forte, e um dia desses a Câmara se veja na obrigação de decidir se permite ou não a realização de nosso "sonho fiorentino". Alguém arrisca um palpite acerca do resultado?


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