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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Enterrando o bom senso

A reportagem acima, publicada hoje, em A Tribuna, dá mais informações sobre a proposta da CET Santos de implantar estacionamentos subterrâneos, na área central do município, comentada no post de ontem.
Conforme a matéria, a proposta faz parte de um "Plano de Mobilidade Urbana" para o Valongo, elaborado pela consultoria Ove Arup & Partners, contratada pela Prefeitura, para estudar a viabilidade do projeto de "revitalização" da área portuária do bairro, mais conhecido como Porto Valongo.
Portanto, não se trata do Plano de Mobilidade Urbana preconizado pela Lei Federal N° 12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana, cuja abrangência é municipal e deve compreender todos os aspectos da mobilidade.
Por si só,  já é condenável a decisão da CET de planejar a mobilidade para apenas um bairro da área central, sobretudo por que se trata de uma área estratégica para a mobilidade urbana da área insular do município como um todo, em função de ser o principal acesso ao Sistema Anchieta-Imigrantes e da existência do Terminal de Integração dos ônibus municipais.
Mas tanto esta forma fragmentada de planejamento, em contraposição ao marco legal federal, quanto a proposta de construção de estacionamentos subterrâneos em várias áreas do centro, revelam que a CET prioriza o transporte individual, em detrimento do coletivo, em especial neste bairro que se tronou a nova fronteira do mercado imobiliário corporativo. em função da construção da sede da Petrobras.
Fica claro que esta proposta só atende aos interesses de quem tem automóvel e também dos empreendedores imobiliários que atuam no Valongo, ou seja a minoria da população. E o mais grave é que ao promover a ampliação de vagas de automóveis no centro, a CET está contribuindo para ampliar ainda mais o congestionamento na área, em detrimento de todos que por lá circulam, ampliando o tempo de viagem do transporte coletivo. Isto é tão óbvio, tão cristalino, que parece irônico o fato de estar a proposta contida em um plano de "mobilidade".
Mobilidade de quem cara-pálida?
Vale ainda comentar a opção por "enterrar" as vagas de estacionamento, mencionada na referida na reportagem. É óbvio que se trata de uma opção muito mais cara, e que soa estranha, em um município que mal consegue manter em funcionamento um sanitário construído no subsolo da Praça Mauá.
Sinceramente, para se produzir uma proposta tão absurda, creio não ser necessário contratar consultoria internacional. Aqui mesmo há gente com talento de sobra para elaborar propostas deslocadas da realidade e das reais necessidades da população de Santos.
E quando me refiro à população, penso nos que mais necessitam de mobilidade: aqueles que usam o transporte coletivo diariamente e que demandam um transporte rápido, pontual, confortável e eficiente. Estes certamente serão os mais prejudicados por esta proposta que literalmente enterra o bom senso.

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