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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Entrando nos trilhos?


Confesso que tenho restrições a estas tais Parcerias Público-Privadas, pois a tendência é que o filé sempre fique com a parte privada e a nós sobre o osso, mas vejo com alguma esperança e nostalgia a possibilidade de reativação do sistema de transporte ferroviário de passageiros, em São Paulo.
Passei minha infância entre Santos e Miracatu, pela linha da Sorocabana e tenho muitas lembranças boas do trem que deixava meu pai e eu na parada do Tijuco Preto, após cruzar o sul da Baixada Santista e serpentear pelas belas colinas de Itariri e Pedro de Toledo.
A notícia abaixo é pois alvissareira e pode colocar Santos na rota das linhas que convergem para a capital, resgatando o uso do fantástico sistema de cremalheiras implantado na Serra do Mar, para vencer o desnível entre o planalto e o litoral.
A proposta pode ser interessante, na medida em que a nova estação poderá ser implantada no Valongo, que passa a se constituir em um importante centro terciário da região e possui proximidade com pontos importantes de transferência para outros modais de transportes, como a estação rodoviária, o terminal de ônibus, a estação das barcas da DERSA e o ainda não implantado VLT, cujo traçado no bairro precisa ser revisto.
Mas os desafios aqui na Baixada Santista são grandes, pois parte da linha deverá ser compartilhada com as ferrovias que acessam o porto, o que é um gargalo e tanto a ser equacionado.
Leia mais sobre o assunto, na matéria abaixo.


PPP pode acelerar volta de trem regional em SP

Do Valor Econômico

Por Guilherme Soares Dias
Uma Parceria Público-Privada (PPP) pode tornar viável o projeto de construção de quatro linhas de trens expressos regionais saindo de cidade de São Paulo. As empresas Estação da Luz Participações e BTG Pactual Gestora de Recursos mostraram-se interessadas em executar o projeto, previsto pelo governo paulista desde 2010. Individualmente, algumas das linhas, como a ligação para Campinas, está prevista desde 2006.
Ao todo, são 431 quilômetros de trilhos ligando São Paulo - Jundiaí - Campinas; São Paulo - São Roque - Sorocaba; São Paulo - São José dos Campos; São Paulo -- ABC - Santos. O investimento será feito por meio de PPP, com contrato de 35 anos, e chega a R$ 18,5 bilhões, sendo R$ 12,5 bilhões da iniciativa privada e R$ 6 bilhões suportados pelo poder público, em contrapartida.
O trem será expresso, com velocidade de 160 km/hora, e vai aproveitar trechos de linhas férreas já existentes, o que facilita as obras, já que haverá pouca necessidade de desapropriações e de novas licenças ambientais. As linhas têm como objetivo desafogar o tráfego das rodovias de acesso às cidades que serão servidas pelos trens e pretende beneficiar 63% da população do Estado, que se concentra nas regiões metropolitanas de São Paulo e nesses municípios. "Teremos um sistema unificado de transportes, com viagem rápida e confortável, que vai permitir que as pessoas morem nessas cidades e trabalhem em São Paulo", diz, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que preside o Conselho Gestor de PPPs do Estado.
As tarifas do transporte devem concorrer com as de ônibus. De acordo com o projeto a que o Valor teve acesso, no trecho entre São Paulo e Santos, por exemplo, a previsão é que sejam cobrados R$ 15 em uma viagem de 50 minutos. Hoje, um ônibus que sai de São Paulo para Santos custa R$ 20,54 e também faz a viagem em 50 minutos, mas ela pode demorar mais, dependendo do trânsito.
Já a viagem de ônibus entre São Paulo e São José dos Campos, que dura 1h30 e custa R$ 20,75 por ônibus, poderia ser feita por trem em 45 minutos ao preço de R$ 18.
A maior demanda de passageiros, segundo o projeto, é no ABC, onde o trem vai atender as cidades de Mauá, São Caetano e Santo André, chegando a 330 mil passageiros por dia. Já São Bernardo, que ficou fora do traçado, será atendida por outro projeto, o do monotrilho que parte da estação Tamanduateí, na Linha Verde do metrô paulistano.
De acordo com o vice-governador de São Paulo, o projeto não conflita com o trem de alta velocidade (TAV), que também vai atender cidades como Campinas e São José dos Campos. "Os dois trens se complementam. O regional levará passageiros para o trem-bala e eles poderão dividir estações, que funcionarão como hubs [centro de distribuição de passageiros]", diz. No caso de Campinas, por exemplo, o trem-bala atende apenas o Aeroporto de Viracopos, enquanto o trem regional passa pela cidade e teria estação no centro.
Na capital paulista, a estação seria na Água Branca, na zona oeste, onde estão previstas a chegada dos quatro trens regionais, do trem-bala, e das composições da Linha 6-Laranja do metrô, que vai da Brasilândia, na zona norte, até São Joaquim, na região central, e está planejada para 2018, mesma previsão de conclusão do trem-bala. "Estamos trabalhando em conjunto com a EPL [Empresa de Planejamento e Logística]", garante Afif Domingos, lembrando que tem um reunião hoje em São Paulo com o presidente da empresa, Bernardo Figueiredo, para discutir o assunto.
Em Santos, o trem regional prevê ainda integração com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que vai ligar as cidades do litoral sul paulista. O percurso até a cidade litorânea é o mais complexo, já que precisa superar trecho de serra. "Será feito um sistema especial para reduzir a velocidade do trem nesse trecho e evitar a construção de túneis, que é mais cara", diz o vice-governador de São Paulo.
Já o trem para Jundiaí terá o maior valor (R$ 5 bilhões) pela maior necessidade de construção de túneis. O trem que vai seguir para São José dos Campos poderá ainda chegar a Taubaté e Pindamonhangaba, atendendo as cidades mais populosas do Vale do Paraíba.
Assim como o trem-bala, o vice-governador ressalta que os trens regionais preveem no entorno das estações exploração de centros comerciais, estacionamentos e terminais de ônibus, que devem contribuir para o retorno financeiro do empreendimento.
Depois de receber a proposta da Estação da Luz Participações e do BTG Pactual, o governo paulista divulgará minuta para atrair outras manifestações de interesse de empresas. A intenção é que as empresas interessadas realizem o projeto básico e o contrato para início das primeiras obras seja assinado em abril de 2014. O governo de São Paulo prevê que os primeiros trechos estejam em operação em 2016 e os últimos em 2020.
Leia o original aqui.

Um comentário:

  1. So acredito quando eu estiver saindo de dentro do vagao na estaçao Se.
    Poderia me informar quando havera a proxima audiencia publica sobre o VLT? leandrofukuji@gmail.com

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