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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O abrigo de bondes da Prodesan: nosso Abu Simbel ou nosso Hotel Esplanade?

Em breve, passada a ressaca do ano novo, pretendo dar mais detalhes do traçado projetado da linha do VLT, no cruzamento das avenidas Ana Costa e General Francisco Glicério, em Santos.
Este projeto "rouba" parte do espaço junto à antiga Estação da Sorocabana e corta ao meio o abrigo modernista de passageiros do sistema de bondes (ver foto acima), em frente à Prodesan, que resistiu bravamente a todo o tipo de desaforo, nas últimas décadas.
Ambos se encontram na área envoltória da Estação, sendo o abrigo relacionado como bem protegido na resolução de tombamento.
Portanto, qualquer intervenção que implique em modificações nos dois elementos deve ter autorização do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).
Como já revelei neste blog e pretendo comprovar em breve, a curva projetada do novo leito carroçável da Avenida General Francisco Glicério, para implantação do VLT, é absolutamente desnecessária e vai implicar na destruição do mencionado abrigo, que já sofreu uma intervenção desastrosa, quando teve suas pastilhas substituídas, há pouco mais de uma década.
Recentemente fui informado de que a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), responsável pelo projeto do VLT, pretende "mover" o abrigo alguns metros, para realizar a obra com a curva prevista.
Imediatamente veio a mente os casos da represa de Assuan, no Egito, e do Hotel Esplanade, em Berlin.
No primeiro caso, na década de 1950, para possibilitar a construção da Represa de Assuan, vários templos no conjunto de Abu Simbel, como o templo de Ramsés (ver foto abaixo), foram desmontados, pedra por pedra e deslocados.
Na verdade, uma grande quantidade de tesouros arqueológicos teve que ser removida, para salvá-los da inundação.
Um destes tesouros conheci pessoalmente, em uma visita a Madrid: o Templo de Debod, doado pelo Egito à Espanha, durante a operação de salvamento da área inundável. Sem maiores comentários.
O outro caso que me veio a mente é o deslocamento do Hotel Esplanade (ver foto abaixo), em Berlin, para a construção do Sony Center, em Potsdamer Platz.
O que sobrou do belíssimo hotel, seriamente destruído em um bombardeio, na Segunda Guerra, e posteriormente reconstruído, foi deslocado em 75 metros, para possibilitar a construção do novo centro comercial e de serviços, ao custo de 75 milhões de marcos, em 1996.
Assim, o que a EMTU promete, no caso do abrigo dos passageiros dos bondes, não é inédito, embora a construção seja de concreto armado. Portanto, trata-se de uma estrutura rígida cujo deslocamento exigiria o emprego de alta tecnologia, para evitar danos irreversíveis.
No entanto, seu deslocamento é inteiramente dispensável, além de adicionar um custo a mais no já faraônico (sem trocadilhos) projeto do VLT.
Em breve voltaremos ao assunto, com as bênçãos de Ramsés.

2 comentários:

  1. hahaha... o inevitável "faraônico" foi ótimo. Incrível como o governo de SP faz de tudo pra complicar - e inviabilizar? - o VLT

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  2. mas professor, não seria possível integrar esses pontos (abrigos) a "provavel" rede do VLT?

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