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terça-feira, 7 de maio de 2013

Notícias do FICON

Acompanho as palestras no FICON (ver post anterior), que termina nesta tarde. Após apresentação dos avanços arquitetônicos e urbanísticos de Chicago, assisto intrigado a apresentação do economista chefe do Sindicato da Habitação - SECOVI, Celso Petrucci.
Em sua intervenção, o economista apresenta um diagnóstico da produção imobiliária do estado de São Paulo, e em especial da Baixada Santista.
Apesar da crise econômica internacional, Petrucci vê com otimismo a perspectiva de crescimento do mercado, em 2013. Segundo o especialista, na Baixada Santista, os imóveis com valor até 500 mil reais representam dois terços dos lançamentos, sendo o preço médio de um imóvel de dois dormitórios de 411 mil reais, e 6.800 reais o valor médio do metro quadrado, com variação de 5% do preço, no último ano. O mapa abaixo, apresentado por Petrucci, mostra a concentração dos lançamentos, na parte sudoeste da orla de Santos.
Portanto, embora o preço não tenha subido mais do que a inflação, talvez em função de ajustes do mercado, muito valorizado nos últimos anos, o valor da tipologia mais comercializada (2 dormitórios) é assombrosamente inacessível à maior parcela da população.
Em sua palestra o economista fez ainda uma exortação, que infelizmente não me surpreende, pela flexibilização da regulação ambiental, para que as cidades possam crescer horizontalmente, assim como pelo aumento do potencial construtivo dos imóveis (que em Santos, em termos reais, beira as 10 vezes a área do lote!), para que as cidades possam crescer verticalmente.
Assim, o paradigma Chicago está sendo utilizado como forma de passar a idéia de que é possível verticalizar, sem perder a qualidade de vida, desde que os municípios façam sua parte, com o que o mercado chama de "planejamento urbano".
Ou seja, para garantir a margem necessária de reprodução de um mercado imobiliário dirigido para a minoria, o setor demanda do Poder Público mais liberação da regulação urbanística e ambiental e maior investimento em infraestrutura.
Diga-se de passagem, os investimentos em infraestrutura seriam, por tabela, realizados pelo esforço de toda a sociedade, através de seus impostos, em um quadro em que a maior parte da população fica a margem do mercado formal de habitação. E ainda, os possíveis impactos ambientais e urbanos (sobretudo na perda da mobilidade e da qualidade ambiental da cidade) seriam absorvidos por todos, sobretudo pelos que não possuem condições de acesso a uma unidade habitacional com os valores acima apresentados.
Termino ressaltando que toda a retórica ideológica pela desregulamentação do que já foi escandalosamente desregulamentado se deve às perspectivas incertas de crescimento do mercado, acostumado com o crescimento vigoroso dos últimos anos e apreensivo com a possibilidade de uma redução do ritmo de crescimento.
Este é o pano de fundo de todo o esforço realizado pelo setor imobiliário, visando passar a idéia de que é possível verticalizar ainda mais, se a sociedade arcar com parte da fatura.
Ressalto que não sou contra a verticalização, mas vejo com reservas a transposição de modelos urbanísticos que absolutamente não se adaptam à nossa realidade ambiental e social.

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