VLT: "audiência" escrita

Ontem compareci à "audiência" (sic) pública sobre o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), promovida pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), tema do post do dia 17/12.
Ouvi atentamente os representantes da empresa discorrerem sobre o projeto, mas não houve qualquer menção acerca dos graves problemas do trajeto proposto para a área central de Santos, os quais já vimos tratando neste blog há muito tempo.
Por exemplo, ao mencionar o respeito pelo patrimônio histórico, a arquiteta da EMTU, que fez a apresentação do projeto, omitiu a informação de que serão demolidos os imóveis situados na Rua São Bento entre os números 14 e 22, assim como os localizados nos números 9, 13, 15, 23, 25, 27, 29, 31 e 33 da Rua Marquês do Herval, todos classificados como Nível 2 de proteção, pelo Conselho de Desenvolvimento do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).
Segundo a lei municipal, estes imóveis não podem ter suas fachadas e telhados alterados, mas em breve isto não será impedimento, pois o atual prefeito já tratou de enviar à Câmara um projeto de lei complementar que atropela o Condepasa e elimina a restrição de demolição destes imóveis.
Também está prevista a remoção do abrigo de bonde situado diante da Prodesan, o qual, segundo a lenda, deverá ser realocado (acredite se quiser). Isto será necessário porque o geométrico do VLT faz uma curva absolutamente desnecessária em frente ao restaurante Caiçara, na confluência das avenidas Ana Costa e General Francisco Glicério.
O público presente também não assistiu a apresentação detalhada do percurso do VLT na área central, conforme já publiquei em vários posts. O máximo que a EMTU apresentou foi o trajeto completo, em uma escala que impedia a identificação das vias por onde passará o VLT, no Centro.
Desta forma, não foi possível saber que a recém reurbanizada Rua Amador Bueno terá que ser quebrada novamente, para o assentamento dos trilhos do VLT, assim como a linha do bonde turístico, inaugurada em 2009, será remanejada para o lado oposto da via, na Rua do Comércio, onde compartilhará a totalidade do leito carroçável com o VLT.
A única novidade foi a informação de que a linha do bonde recém implantada na Rua General Câmara, será removida definitivamente deste logradouro. Mas não fomos informados qual será o novo trajeto do bonde.
Também não foi informado que a opção do trajeto do VLT indo pela Rua General Cãmara e retornando pela Rua Amador Bueno, ao invés de utilizar a Rua João Pessoa, que é muito mais larga, vai implicar na desapropriação e demolição de imóveis situados nas esquinas daquelas vias, em função do raio de curvatura da linha do VLT.
E para completar, o público presente foi impedido de se manifestar oralmente, pois os questionamentos e sugestões só podiam ser apresentados por escrito. Ou seja, a EMTU promoveu uma "audiência" por escrito e se limitou a responder as questões em uma monótona sessão de leitura. Portanto, quem lá esteve teve uma aula de falta de transparência e cerceamento à participação da sociedade na definição do uso de seus próprios recursos.
Aliás, acerca da questão dos recursos, como vem ocorrendo desde o início desta lenda urbana, em 1999, o orçamento cada vez aumenta mais. Da última estimativa para cá, passou de R$ 690 para R$ 900 milhões de reais. Um aumento de cerca de 30%.
Por tudo isso querem nos calar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em São Paulo tiveram mais sorte

Uma proposta de replantio do jundu nas praias de Santos

Apertem os cintos, o Gonzaga está sumindo!