Apertem os cintos, o Gonzaga está sumindo!
É óbvio que o título deste artigo é um exagero, fazendo alusão à comédia
americana de 1980, que fez muito sucesso em nossos cinemas. Na verdade, o
intuito é chamar atenção para um fenômeno preocupante que começa a tomar
impulso no bairro do Gonzaga, em Santos, nos últimos tempos. Apesar da alta
valorização dos terrenos no bairro, que desde meados do século XX assumiu o
papel de segundo centro da cidade, há décadas já podem ser observados alguns
terrenos de grandes dimensões, que poderiam receber empreendimentos
residenciais ou comerciais, mas cujos proprietários preferem destinar ao uso de
estacionamentos. Podem ser citados como exemplos os imóveis da Rua Azevedo
Sodré 110 e da Av. Ana Costa 386 e 474 (Figura 1).
Figura 1. Grandes terrenos com estacionamentos no Gonzaga
Fonte: autor, 2024.
Fico pensando se o retorno que esses terrenos dão a seus proprietários
é maior do que se neles fosse construído algum empreendimento imobiliário. O
mais provável é que eles considerem que a especulação dará um retorno ainda
maior no futuro. Mas o importante nesses casos é questionar se de fato eles
cumprem a função social da propriedade urbana, princípio estabelecido pelo
artigo 182 da Constituição Federal, regulamentada pelo Estatuto da Cidade, Lei Federal
nº 10.257/2001. No rigor da lei, cumprem, pois o Plano Diretor de Santos, Lei
nº 1.181/2022, que regulamenta o cumprimento desse princípio no município,
permite esse desperdício de solo urbano infra estruturado, na imensa maioria
dos bairros da orla e da área intermediária da Zona Leste da cidade, os mais
valorizados do município. Vejam as manchas vermelhas na Figura 2, áreas em que
a Prefeitura pode notificar os proprietários de imóveis não edificados, subutilizados
ou desocupados para dar-lhes alguma destinação mais útil para a sociedade, sob
pena de cobrança do IPTU Progressivo, que pode subir escalonadamente durante 5
anos até a alíquota de 15%. O instrumento urbanístico se chama Parcelamento, Edificação
e Utilização Compulsórios, conhecido pelos urbanistas como PEUC, e foi
regulamentado em Santos somente em 2005. Porém, somente após a revisão do Plano
Diretor de 2018 passou a funcionar para valer. Desde então, a Prefeitura o
aplica com prioridade para a área central. Obviamente, essa notificação
pressiona aqueles que estão especulando com os terrenos a dar-lhes uso
econômico. Não se trata de “coisa de esquerdista”, pois o princípio é aplicado
de forma semelhante na maior parte dos países cuja economia capitalista é
avançada. O entendimento é de que terreno vazio ou subutilizado em centralidades
urbanas desperdiçam a infraestrutura instalada, criando assim processo de
deseconomia que prejudica toda a comunidade. E se esse processo for exagerado,
a ampliação dos vazios urbanos vai empurrar outras atividades e residências
para localizações mais distantes dos centros, consumindo mais áreas naturais
nas periferias e aumentando os deslocamentos diários entre casa e trabalho. Ou
seja, além de ser um modelo insustentável do ponto de vista econômico, é
ambientalmente nocivo.
Figura 2. Áreas passíveis de notificação por não cumprimento da função
social da propriedade urbana, em Santos, localizadas majoritariamente na área
central, parte da Zona Noroeste e dos Morros e ao longo de alguns eixos viários
na Zona Leste.
Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Prefeitura de Santos, 2024.
A expansão dos estacionamentos descobertos nos lotes
Nas últimas décadas, proprietários de atividades comerciais e de
serviços começaram a adquirir imóveis vizinhos, demolindo-os para ampliar a
oferta de estacionamentos para clientes. No Gonzaga, são exemplos um
laboratório clínico na esquina da Av. Ana Costa, na esquina com Rua Paraguay e,
na mesma quadra, um estacionamento com frente para a Rua Bahia, nos fundos de
um centro comercial construído no terreno de um antigo cinema, de frente para a
mesma avenida (Figura 3).
Figura 3. Demolição de edificação para oferta de vagas para
estabelecimentos
Fonte: Google Earth, 2013/2020 e Aerocarta/Prefeitura de Santos, 1997.
Mais recentemente a demolição de edificações, desta vez sem vínculo
direto com atividades econômicas, passou a ocorrer em três esquinas do eixo
super valorizado da Rua Jorge Tibiriçá e também na esquina da Rua Alexandre
Herculano com Av. Washington Luís (Figura 4).
Figura 4. Lotes cujas edificações foram demolidas e transformadas em
estacionamento
Fonte: autor, 2024.
No imóvel da R. Amilcar Martins 19 funcionava um bar, em terreno onde
havia o edifício Gironda, que foi ineditamente implodido em 1990, por ter sido
condenado por problemas estruturais (ver aqui).
Portanto, é um terreno que poderia ter um empreendimento imobiliário, ainda que
de dimensões inferiores às enormes torres construídas atualmente. No imóvel da
R. Jorge Tibiriçá 32 havia um sobrado, por onde durante décadas funcionaram
estabelecimentos comerciais. No terreno da R. Azevedo Sodré 111, onde também
havia um sobrado, funcionavam três estabelecimentos de comércio e serviços
variados. E no da Av. Washington Luís 328, havia um pequeno edifício de dois
pavimentos junto com sobrados de frente para a R. Alexandre Herculano, todos
com usos comerciais antes de serem demolidos. Neste caso, é muito provável que
os imóveis tenham sido adquiridos por uma incorporadora, que pretende lançar
algum empreendimento no futuro.
Vistos isoladamente, os casos acima apresentados podem não parecer
muito nocivos à qualidade de vida do bairro como um todo, mas se analisarmos o
conjunto desses espaços destinados a estacionar automóveis sem construções
significativas (Figura 5), fica claro o quanto a situação já está se tornando
preocupante e demandando a ampliação da aplicação do PEUC nos bairros na orla,
em especial no Gonzaga.
Figura 5. Localização dos estacionamentos em lotes não edificados ou
com pequenas edificações
Fonte: autor, 2024.
Estacionamentos e cidade
Em geral, os estacionamentos podem ser públicos ou privados, gratuitos
ou não, junto ao meio fio das ruas, ou dentro de lotes, construídos ou não,
cobertos ou não, em subsolo, em sobre solos (pavimentos de garagem do térreo
para cima) ou em edifícios garagem. Os estacionamentos em terrenos vazios
contribuem para o declínio da densidade residencial da cidade, desperdiçando
terrenos urbanizados e servidos por infraestrutura e próximos a serviços
urbanos, pois ocupam espaços onde atividades econômicas e/ou moradias poderiam
ser construídas.
Congestionamentos tendem a ser maiores em bairros onde a maioria das
pessoas dirige, porque é muito caro ou proibitivo para as prefeituras ampliarem
as dimensões das vias, e quando isso ocorre, não acontece na mesma velocidade
em que aumenta a frota de veículos, como é o caso dos bairros da orla de Santos,
onde o valor do solo inviabiliza desapropriações para alargamento de ruas. Essa
escassez de espaços para estacionar nos logradouros leva ao aumento da demanda
por áreas para guardar os veículos, como ocorre nos bairros da orla da cidade,
verticalizados desde meados do século passado, quando os edifícios não
ofereciam número de vagas de garagem suficientes para os atuais padrões de
exigência, em um quadro de má qualidade do transporte público e pouca oferta de
ciclovias ou ciclofaixas. Assim, os espaços destinados para estacionamento
tendem a crescer muito mais rápido do que os espaços destinados para eles
transitarem. Esta dinâmica torna os congestionamentos ainda piores, pois quanto
mais facilidade para estacionar, mais trânsito haverá no setor urbano,
contribuindo para ampliar a poluição atmosférica. E quanto mais carros
estiverem circulando a procura de vagas, mais combustível será gasto e mais
gases estufa descarregados na atmosfera. É exatamente isso que ocorre em
Santos.
Além disso, a oferta de estacionamentos nos lotes afeta negativamente
um dos maiores benefícios de se viver em bairros com maior densidade, que é o
de ter uma vida urbana mais vibrante nas ruas, pois o entra e sai de veículos
dos estacionamentos e o aumento dos congestionamentos cria conflitos com o
caminhar dos pedestres nas calçadas e com as bicicletas também. E o irônico
disso tudo é que quando o motorista deixa seu carro no estacionamento, torna-se
um pedestre e portanto vitima do próprio processo que contribui para criar.
A partir dessa reflexão, gestores públicos em várias partes do mundo já
chegaram à conclusão de que as cidades vão funcionar melhor e ficarão mais
saudáveis quando houver menos carros nas ruas e... nos lotes. A chave disso
está na melhoria dos transportes públicos, no maior uso das bicicletas, na
melhoria das condições das calçadas para o estímulo do caminhar e em alguns
casos na utilização de veículos compartilhados. Durante o século XX, com grande
contribuição do lobby da indústria automobilística, acreditou-se que o
estacionamento nos lotes tinha como principal vantagem evitar o efeito de
“derramamento”, spillover effect em inglês, mas ao longo do tempo as
desvantagens desse tipo de solução ficaram evidentes. Dentre elas, podemos
citar o desperdício de solo urbano de alto valor, o estímulo a um meio de
transporte nada sustentável, o esvaziamento de pessoas das ruas, o espalhamento
da urbanização em busca de áreas periféricas menos valorizadas para implantação
de empreendimentos altamente geradores de vagas, aumento da excessivo da
velocidade das ruas com a retirada de vagas junto ao meio-fio etc.
Dante Ramos, em seu artigo “Como o estacionamento arruinou tudo” (ver aqui),
revelou que os Estados Unidos, país onde se originou a exigência de número
mínimo de vagas nas moradias, construía mais garagens para três carros do que
moradias de um dormitório. E Henry Grabar, em seu livro “Paraíso Pavimentado,
como o estacionamento explica tudo” (em inglês Paved Paradise: How Parking
Explains the World, título de uma música de Joni Mitchell), informou que:
"mais metragem quadrada é dedicada ao estacionamento de cada carro do que
à moradia de cada pessoa", na economia mais rica do mundo.
Segundo Ramos, Grabar afirmou que
Todos aqueles retângulos de asfalto de 9 pés por 18
pés (2,74 m x 5,48 m) não apenas danificaram o meio ambiente ou condenaram
estilos arquitetônicos outrora estimados; a demanda por mais estacionamento
também impediu o objetivo social crucial de acessibilidade à moradia. Essa
prioridade equivocada colocou o país em apuros. Por décadas, mesmo com os
aluguéis disparando e as mudanças climáticas piorando, a ubiquidade e a
banalidade das vagas de estacionamento desencorajaram qualquer um de perceber
seu impacto social.
Como explica Ramos, o arquiteto vienense Victor Gruen, mais conhecido
como o pai do shopping center, propôs preservar a vitalidade urbana abrindo
mais espaço para armazenamento de veículos, na realidade, muito mais espaço! Em
1956, em Fort Worth, Texas, propôs um centro urbano somente para pedestres
cercado por um circuito de rodovias e servido por enormes novas garagens de
estacionamento. Ele queria adicionar 60.000 vagas de estacionamento ao núcleo
urbano, que seria todo pavimentado para que os visitantes nunca precisassem
caminhar mais do que dois minutos e meio de volta para seus carros. De fato, o
Texas possui alguns exemplos que levam a obsessão pela implantação de
estacionamentos nos lotes ao extremo. Basta ver a Figura 6, que mostra como o
centro de Houston praticamente está desaparecendo, tal a quantidade de lotes
descobertos com vagas para estacionar.
Figura 6. Centro de Houston, Texas, EUA.
Fonte: Google Earth, março de 2023.
No artigo “5 problemas de estacionamento urbano e suas soluções
inteligentes” (ver aqui)
argumenta-se que estacionar nas áreas centrais das cidades é estressante,
sobretudo onde há muito mais carros do que vagas de estacionamento disponíveis,
como é o caso dos bairros da orla de Santos. Isso leva motoristas a dirigirem
procurando por uma vaga disponível, em uma completa perda de tempo, que é um
absurdo em tempos de mudança do clima. Portanto, tornou-se senso comum, para
aqueles que têm carro, que os estacionamentos são a salvação. Mas não é bem
assim, sobretudo se os estacionamentos estiverem localizados em um terreno não
edificado. Estacionamentos podem ser nocivos ao meio urbano, pois muitos ficam
ociosos grande parte do tempo, com impermeabilização do solo que afeta o
balanço hídrico e gerando poças de água parada, causando danos ao meio ambiente
e à saúde. Eles também podem ser um foco de acidentes com pedestres, pois
muitas vezes não há separação entre carros e pessoas, como em alguns casos
registrados acima. Do ponto de vista da paisagem urbana, podem ser elementos de
degradação do ambiente construído, gerando áreas perigosas fora do horário
comercial, com muros altos e sem qualquer relação entre o interior dos lotes e
as ruas. Também podem se constituir em desperdício de solo urbano para
programas de habitação social ou mesmo para habitação de mercado.
Segundo Patrick Sisson, em seu artigo “As cidades têm um problema de
estacionamento. Mais estacionamento não é a solução” (ver aqui),
a grande quantidade de pavimentação deixa claro como carros parados consomem
nossas cidades. De acordo com essa fonte, analistas estimam que a Europa
Ocidental contém 300 milhões de vagas, enquanto os EUA dois bilhões e frequentemente
esses imóveis são localizados em centralidades com valor do solo muito alto. Se
considerarmos que uma única vaga padrão, nesses países, tem pouco mais de 6 x 3m,
pode-se afirmar que ela ocupa quase tanto espaço quanto um pequeno apartamento
estúdio parisiense, uma unidade habitacional compacta de baixa renda na Índia
ou pequenas salas de escritório. O mesmo artigo informa que “o maior
estacionamento do mundo, no West Edmonton Mall em Alberta, Canadá, tem 20.000
vagas de estacionamento, cobrindo espaço suficiente para um bairro de 500 casas”.
Mas o mais preocupante é que as vagas de estacionamento não são majoritariamente
usadas, na maioria dos casos, como se pode ver pela foto da Figura 7, que
mostra o estacionamento do atacadista Assaí, na esquina entre as avenidas Ana
Costa e Francisco Glycério, no limite externo norte do Gonzaga. Trata-se de uma
verdadeira aberração urbana, que a despeito da arborização, oferece uma grande
extensão de solo impermeabilizado, ocioso a maior parte do tempo e que poderia
ser transformado em uma praça pública, com áreas verdes e de permanência, na
frente de uma estação do Veículo Leve sobre Trilhos, atendendo a população usuária
do terciário do setor e residente nos três bairros ao redor, com baixíssima
oferta de praças e áreas verdes.
Figura 7. Estacionamento do atacadista Assaí
Fonte: autor, 21/09/2024.
Conforme Sisson, um estudo do Center for Neighborhood Technology, organização
sem fins lucrativos de desenvolvimento sustentável de Chicago, um quarto a um
terço das vagas dos estacionamentos ao redor de prédios de apartamentos em
cidades americanas estavam vazias. Considerando que um carro médio se move
apenas em 5% do tempo, este é um forte argumento para que os municípios
dimensionem corretamente o espaço que destinam a veículos parados. E se
considerarmos a velocidade de urbanização do planeta, em especial em economias
como Índia, China e Brasil, com crescente uso do automóvel, a limitação da
oferta de estacionamentos deve ser vista como um desafio global, no contexto
das políticas de mitigação e adaptação às mudanças do clima.
Neste aspecto, é importante entender que a existência de
estacionamentos é, também, um problema de uso do solo, pois desde a década de
1930, quando nos EUA cidades passaram a exigir um número mínimo de vagas em
residências e empreendimentos terciários, várias cidades ao redor do mundo
adaptaram esse tipo de exigência. Santos inclusive, desde meados do século
passado! O artigo de Sisson comenta estudo norueguês, o qual aponta que a
disponibilidade de estacionamento triplica a probabilidade de alguém possuir um
carro, cria congestionamento e reduz o espaço imobiliário disponível para usos
mais importantes, contribuindo para a expansão urbana ao aumentar a distância
entre os edifícios. Em escala, isso torna bairros e cidades menos caminháveis,
aumentando a necessidade de usar carros para os deslocamentos, o que estimula a
necessidade de mais estacionamento, gerando um círculo vicioso.
Como Santos poderia enfrentar o desafio de reduzir os
estacionamento?
Além de uma aplicação mais efetiva e ampla do PEUC, como mostrei acima,
é evidente que o caminhar a pé e de bicicleta tem que ser estimulado, em Santos.
São iniciativas óbvias melhorar a integração tarifária dos transporte coletivos,
adotar a Tarifa Zero, cuidar melhor das calçadas, da iluminação pública e da
arborização nas ruas, ampliar as ciclovias, criar faixas cicláveis, estimular a
implantação de paraciclos e bicicletários. Também é preciso divulgar melhor o
Plano de Passagens, contido no Plano de Mobilidade e Acessibilidade, Lei nº
1.087/2019, que prevê a criação de rotas para pedestres e ciclistas através de
quadras, reduzindo os deslocamentos em toda a área insular. Mais que isso, é
preciso parar de revogar seus dispositivos, como vem ocorrendo nos últimos
anos, para atender a interesses de proprietários de imóveis.
Mas em nossa cidade, em termos de política fiscal, não apenas o PEUC,
que pode ser seguido da aplicação do IPTU Progressivo, caso o proprietário se
recuse a edificar no lote, pode ser utilizado como instrumento para impedir a
deseconomia gerada pelos estacionamentos em terrenos vazios ou com pequenas
edificações usadas como cabines de cobrança. O Código Tributário do Município, Lei
nº 3.750/71, em seus artigos 7º (parágrafo único, inciso V) e 29 não permite
considerar o imóvel como edificado se não possuir construções ou se as possuir “com
área igual ou inferior a 40% da área total do terreno, utilizadas como
escritórios de estacionamentos de veículos” ou localizadas “a 25 m do
alinhamento da via pública para o qual tenham frente”. Nestes casos, ao invés
de incidir a alíquota de 1% do valor venal, referente ao imposto predial, passa
a incidir a de 2,5%, relativa ao imposto territorial. Porém, o artigo 36 (§§ 6º
e 7º) da lei dá um desconto de 20% do imposto territorial aos terrenos com uso
econômico, inclusive estacionamentos. Portanto, a política tributária municipal
incentiva estacionamentos, ao invés de coibi-los. É preciso mudar isso
urgentemente e inclusive aumentar a alíquota para estacionamentos em terrenos
não edificados ou subedificados.
Conclusão
Nem é preciso ser urbanista para perceber que essa política de estímulo
e oferta praticamente ilimitada de espaços para estacionar nos lotes substitui
o espaço construído, antes ocupado por comércios, escritórios e moradias por
áreas impermeabilizadas, com desestímulo ao caminhar e pedalar e com alto
déficit de vegetação. Portanto, é bem óbvia a deseconomia e os impactos
ambientais negativos provocados pelo desaparecimento das construções nos lotes.
Enquanto a Prefeitura continuar ignorando o que está acontecendo no
Gonzaga e provavelmente em outros bairros, Santos seguirá perdendo atividades
econômicas, espaços residenciais em setores altamente servidos por
infraestrutura e equipamentos urbanos, além de desestimular a mobilidade a pé
ou de bicicleta e aumentar o notório déficit de arborização e áreas verdes, no
momento em que a crise climática se aprofunda. É preciso agir agora, para
evitar que Santos se torne algo tão urbanamente ruim como Houston!
Comentários
Postar um comentário