Programa do Estado de SP para APL reduz empregos

Embora o enfoque da reportagem publicada na edição de hoje da Folha de São Paulo seja a redução dos investimentos do Estado de São Paulo no programa de formação de Arranjos Produtivos Locais (APL), a mencionada matéria revela que este programa reduz o número de empregos. É o que se deduz do testemunho do empreendedor ouvido pelo jornalista, que revela ter enxugado sua folha em 30% (grifo em vermelho).
Resta saber se o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa, responsável pelo programa, tem alguma alternativa concreta para compensar a brutal redução de postos de trabalhos decorrente de sua política de "desenvolvimento".
A reportagem não menciona qualquer medida capaz de reverter esta lógica perversa de aumento da produtividade às custas do trabalhador, coisa tão fora de moda quanto o neoliberalismo enterrado pela atual crise econômica mundial em curso.


São Paulo, domingo, 30 de outubro de 2011 - Caderno Negócios, p. 1.
Estado de SP reduz em 9,5% verba para pólos regionais

No total, 24 conglomerados de empresas dividem R$ 639 mil neste ano
PATRÍCIA BASILIO
DE SÃO PAULO

Sistema produtivo ultrapassado e maquinário arcaico fizeram parte de 43 dos 50 anos da Almudena, fabricante de móveis para escritório, em Diadema, no Grande ABC.
Há sete anos, contudo, a empresa trocou 80% dos equipamentos e aprimorou a metodologia de trabalho. O resultado, segundo o proprietário Carlos Alberto Gomez, 55, foi o aumento de 50% do faturamento e a redução de 30% do quadro funcional.
A mudança ocorreu após a empresa fazer parte do Movelaria Paulista, APL (arranjo produtivo local; leia mais no texto ao lado) do setor moveleiro do ABC e de Mirassol (452 km da capital), onde recebeu orientação. "Parei de perder tempo tentando vencer a concorrência e passei a elaborar processos produtivos mais eficientes."
Como a Almudena, 14.040 micro e pequenas empresas fazem parte de um dos 24 conglomerados presentes no Estado de São Paulo [em 2009 havia 12], aponta a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.
Os APLs, na avaliação do secretário Paulo Alexandre Barbosa, têm como objetivo desenvolver mercados regionais, cada "vez mais significantes para a economia".
O investimento estadual, no entanto, caiu neste ano. Em 2010, o aporte em arranjos produtivos foi de R$ 706.373,78. Para este ano, o planejamento contempla R$ 639.173,91 -9,5% a menos.
O valor de investimento não inclui o financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) de US$ 2 milhões (R$ 3,3 milhões) para o período de 2010 a 2013. Resta ainda, segundo o banco, US$ 1,3 milhão (R$ 2,2 milhões) disponíveis para utilização no Estado.
A expectativa para 2012, diz Barbosa, "é que os APLs se tornem prioridade e recebam aporte de R$ 3 milhões".
Em relação a investimentos federais em pólos, o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) afirma focar a Copa-2014 e a Olimpíada do Rio, em 2016, mas não tem previsão para verba em 2012.  

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